NOSSAS EXPERIÊNCIAS: 2012-01-29

4 de fev. de 2012




A violência contra a mulher

São de vários tipos as violências cometidas contra a mulher, mas silenciadas pela absoluta falta de mecanismos sociais que garantam a preservação de seus direitos. Recentemente, passaram a ser denunciadas devido ao surgimento de entidades especializadas no atendimento destas mulheres. É o caso da Casa da Mulher fundada em 1977 por um grupo feminista, em São Paulo. Além de atividades de conscientização feminista, a Casa oferece atendimento gratuito a mulheres vítimas de violências físicas, morais, sexuais etc. Faz parte da equipe de atendimento da Casa da Mulher a psicóloga Denise Medeiros Furtado Varela que prestou o seguinte depoimento:


"De início, a Casa da Mulher trabalhava só na linha do feminismo propriamente dito. Participava de encontros, promovia palestras e fazia grupos de orientação feminista. De 5 anos para cá, também começou a fazer uma prestação de serviços gratuita para as mulheres vítimas de agressões, de violência etc. Há pouco tempo, a mulher agredida procurava fazer queixa na Delegacia Policial do bairro e quem a atendia batia nas costas dela, dizendo: 'vai para casa porque é assim mesmo; briga de marido e mulher a gente não mete a colher'. Então, não se fazia nada. Agora, depois da criação das Delegacias da Mulher, as vítimas de violência começaram a aparecer e elas são encaminhadas para a Casa da Mulher, que tem um convênio com a Procuradoria do Estado, a fim de entrar com os processos na Justiça e acompanhá-los. Passamos a atender uma demanda muito grande de mulheres encaminhadas para a Casa da Mulher pelas Delegacias. Fizemos um levantamento no 1º semestre de 88 e atendemos 356 mulheres em uma primeira entrevista.

Como é feito o atendimento?

Existe uma triagem inicial do ponto de vista jurídico. As mulheres recebem das advogadas orientações relativas aos seus direitos nos casos de separação conjugal. A partir daí, existe a possibilidade de atendimento psicológico individual ou grupal. Para as mulheres, o atendimento jurídico que resolva a questão familiar é prioritário, mas procuramos mostrar para elas a importância do atendimento psicológico. Mostramos que resolver na Justiça é importante, mas elas precisam também mudar a sua atitude diante da vida para que esses problemas não retornem. Elas trazem com freqüência problemas de espancamento ou de ameaça de violência. São as mulheres chamadas de alto risco de violência. Elas trazem o Boletim de Ocorrência (BO) policial e já fizeram o exame de corpo-delito. Às vezes, trazem um calhamaço de BOs e dizem para tirar esse marido de dentro da casa porque 'ele vai me matar ou eu mato ele; não tem mais condições de vivermos juntos'. Neste caso, elas ficam recolhidas na Casa da Mulher Espancada, fundada em junho deste ano, durante um período de até 3 meses, levando os filhos para lá enquanto começam a tentar uma reestruturação de sua vida. Existe uma série de problemas de relacionamento que já vêm ocorrendo e culminam com a violência física, sexual ou ameaça de violência moral. Às vezes, a mulher vem até nós e diz: 'O meu marido não é tão ruim porque ele não me bate'. Se formos verificar toda a situação, este marido a agride verbalmente, desmoralizando-a. Estamos procurando trabalhar no sentido de diminuir este tipo de problema. De forma geral, constatamos que a questão econômica determina muito o grau de violência praticada. São as pressões de desemprego, de moradia, de dupla jornada de trabalho da mulher, de a mulher ser ainda uma força de trabalho menos paga em termos de atividades iguais às do homem etc. Tudo isso faz com que se crie um clima de tensão interna que acaba levando à violência.

Uma forte dependência emocional

Um problema muito mais sério do que a dependência financeira de mulheres trabalhadoras em nível operacional (domésticas, copeiras, faxineiras etc.) é a dependência emocional muito grande em relação ao marido. Por exemplo, um marido alcoólatra que espanca a mulher, que não provê a casa etc. Essa mulher vive nessa situação durante 15, 20 anos. Ela não pode alegar que não se separa por causa dos filhos porque estes já estão criados e afastados de casa. Alguém pergunta para essa mulher: 'Por que você não resolve o seu problema?'. Ela responde: 'Ah, eu tenho pena dele porque, se eu me separar dele, ele vai virar indigente'. Acontece que ela confunde os papéis de esposa com os de mãe. Ela também assume a condição de maternidade em relação ao marido, mantendo o casamento deles durante muitos e muitos anos. Isso se constata num grande número de casos que nós atendemos, porque apenas 50% dizem que vão se separar e fazem realmente o que se propuseram. Elas chegam a denunciar o marido, mas não chegam a se separar. Por sua vez, o homem acaba se acomodando porque lá na Delegacia não resolvem o problema. Inclusive, a própria mulher pode recuar. Ainda hoje se vê de forma muito negativa a mulher separada que é considerada uma ameaça, uma mulher de mil homens etc. O que elas mais afirmam é: 'ruim com ele, pior sem ele'. Como acabam, muitas vezes, não levando adiante a sua decisão, os maridos se acomodam também.

Os distúrbios emocionais mais graves

Em alguns casos, elas podem apresentar distúrbios mentais muito acentuados. Não sei dizer se são causa ou efeito, mas tenho encontrado alguns casos de mulheres que já apresentam um distúrbio mental até a nível de surto psicótico. Elas vivem num ambiente desses, como já descrevi, e acabam sendo as depositárias dos problemas de todo mundo. Dizem que 'ela é louca, desequilibrada, então vamos bater nela porque assim ela não dá trabalho para a gente'. São condições de tortura. Entretanto, quando analisamos a dinâmica familiar, constatamos que ela teve um distúrbio mental e ela é a pessoa mais estruturada nessa família porque ela denuncia os problemas. Posso citar um outro caso bastante revelador. O problema do alcoolismo masculino é muito acentuado, embora também existam os casos femininos que são muito menos denunciados. Em um dos nossos grupos de mulheres, diversas delas tinham marido com problemas de alcoolismo. Uma delas dizia que o problema dela não era tão grave assim como as outras estavam falando. Ela dizia: 'O meu marido só fica nervoso quando bebe. Ele fica nervoso, pega o revólver e fica virando o tambor do revólver na minha cabeça, pela casa toda. Outro dia ele até deu um tiro na cozinha porque estava de fogo, mas ele não é assim'. Quer dizer, a patologia dessa mulher está tão preocupante quanto a do marido. Ela nem estava conseguindo perceber a gravidade da situação. Por isso, existem conteúdos que precisam ser trabalhados a nível emocional da mulher, para ela não precisar se apoiar tanto no marido como uma muleta. Ela consegue sentir-se gente somente quando tem um marido ao lado dela.

As diferenças entre a mulher espancada e a estuprada

A experiência de atendimento em grupo (no máximo de 15 participantes) dessas mulheres é importante porque cada uma ouve o depoimento da outra e isso serve para mobilizá-las mesmo. A mulher espancada se sente diferente da mulher estuprada. Elas distinguem estas duas situações, muito intensamente. Se a mulher chega muito machucada, há muita solidariedade no grupo para este tipo de problema. Por exemplo, uma delas diz que estava com hematoma no rosto porque tinha levado uma pancada com uma barra de ferro. Em resposta, uma outra abre a roupa e mostra: 'Olha, eu também estou machucada; só não estou no rosto como você' . Já no caso da violência sexual, as mulheres têm mais dificuldade de se colocar dessa forma. No caso do estupro, é um problema peculiar porque o homem agressor não vê a mulher como pessoa, mas um objeto sexual. Existem homens que até dizem: 'Bom, fui eu que fiz essa mulher, então vou ser o primeiro a usar'. Por essas razões, a mulher estuprada vive um momento emocional mais conturbado do que a mulher espancada, e ela precisa de um atendimento individual, principalmente se essa mulher é esposa ou filha do homem que a violentou sexualmente.

As dificuldades diante do abuso sexual

O problema do abuso sexual é uma queixa que não aparece no início, mas somente no meio do atendimento. E muito difícil para a mulher chegar e declarar: 'olha, eu saí de casa porque o meu marido está tentando violentar a minha filha'. Somente aos poucos, vai aparecendo durante o atendimento o problema de o homem forçar a mulher a ter relações sexuais, ou por exemplo, usar os filhos como espectadores da situação. A mulher coloca na cabeça que deve se submeter e se comportar dessa maneira porque ela foi criada para servir ao marido no casamento. Só que, muitas vezes, isso vai criando uma proporção tamanha que ela precisa denunciar. Ainda quando resolve denunciar, ela se sente dividida e culpada. Neste tipo de atendimento, enfatizamos a importância de fazer a denúncia para não ser cúmplice dessa violência. É o caso de um marido que abusa de uma enteada. A mulher encara essa situação como se a filha de 12 ou 13 anos estivesse 'provocando' o padrasto, então essa filha é colocada para fora de casa porque quer tirar o marido dela. No atendimento de violência sexual, lidamos com a desestruturação emocional da mulher, sobretudo a situação de vergonha e de humilhação que ela vive. Não se chega a uma reestruturação de personalidade como se chega numa terapia de longa duração, embora este seja o objetivo do nosso trabalho psicológico, se tivermos condições de desenvolvê-lo."

O endereço da Casa da Mulher é: Rua 13 de Maio, 47, tel.: (011) 255-5732, São Paulo.
fonte: pepsic.bvsalud.org 

3 de fev. de 2012

 NÃO PERMITA QUE SEUS DIREITOS SEJAM VIOLADOS !
DENUNCIE.




Há cada 15 segundos uma mulher é espancada …


                                                                                 



                  No Brasil, 10 mulheres são assassinadas por dia …






                  Apenas 40% das mulheres denunciam o agressor …



Pesquisa do Data Senado constata que em cada 100 mulheres brasileiras, 15 vivem ou já viveram algum tipo de violência doméstica


Você, MULHER, vai deixar que isso continue?????


DENUNCIE!!!!!!!

Procure uma DEAM (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher) mais próxima de sua casa!
A melhor arma é a DENÚNCIA!!!
Publicado: dezembro  2010 por Aspectos Sociais e Jurídicos sobre a Lei Maria da Penha. 


Saiba como obter ajuda em caso de violência contra a mulher

Qui, 19 de Janeiro de 2012 19:19
(R7 Notícias) As mulheres que sofrem de violência doméstica podem usar uma ferramenta importante contra as agressões: a central de atendimento do governo federal. 
Para obter ajuda via telefone, a vítima pode discar o número 180.
De acordo com Secretaria Nacional de Política para as Mulheres, o atendimento, feito por 160 atendentes – todas mulheres – é concentrado em Brasília (DF).
Mesmo assim, a central possui um banco de dados com delegacias, juizados e hospitais de todo o país. Todas as funcionárias são treinadas e instruídas sobre a lei Maria da Penha (11.340/06) e sobre violência doméstica.
Veja onde procurar ajuda e orientação em casos de violência contra a mulher em cada Estado.


ACRE
Nome da entidade: Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher - Rio Branco
Endereço: Rua Benjamin Constant, Nº 1190 – Bairro: Centro
Cep:  69900-000
Município:  Rio Branco
Telefone:  (68)3211-3815
Fax:  (68)3211-3815
E-mail: 
vamulher1rb@tjac.jus.br site:
http://www.tjac.jus.br/noticias/noticia.jsp?texto=9017

AMAPÁNome da entidade:  Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher - Santana
Endereço:  Rua Cláudio Lúcio Monteiro, n° 2100 - Bairro: Vila Amazonas
Cep:  68925-000
Município:  Santana
Telefone:  (96)3281-8174
Fax: 
E-mail: 
waldez.costa@tj.ap.jus.br


BAHIANome da entidade:  Vara de Violência Doméstica e Familiar - Feira de Santana
Endereço:  Avenida dos Pássaros, nº 94 - Bairro: Mochila
Cep:  44005-785
Município:  Feira de Santana
Telefone:  (75)3614-5835
Fax:
E-mail: 
varadamulherssa@tjba.jus.br 

DISTRITO FEDERAL

Nome da entidade:  Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher - 3º Juizado - Brasília
Endereço:  SMAS Trecho 03, Lotes 4/6, Bloco 02, Pavimento 1 – Fórum José Júlio Leal Fagundes - Bairro: Asa Sul
Cep:  72215-300
Município:  Brasília
Telefone:  (61)3103-1908
Fax: 
E-mail:

PARANÁ
Nome da entidade:  Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher - 13ª Vara Criminal - Curitiba
Endereço:  Rua Itupava, nº 1829 - Bairro: Alto da Rua 15
Cep:  80040-000
Município:  Curitiba
Telefone:  (41)3363-3852
Fax:  (41)3363-3852
E-mail: 
cafl@tjpr.jus.br

RIO DE JANEIRO
Nome da entidade: Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher - 3º Juizado - Rio de Janeiro
Endereço:  Rua Professora Francisca Piragibe, nº 80 - Bairro: Taquara; 2º Andar
Cep:  22710-195
Município:  Rio de Janeiro
Telefone:  (21)2444-8171
Fax:  (21)2444-8165
E-mail:
jpa03jvdfm@tjrj.jus.br

RIO GRANDE DO NORTE
Nome da entidade:  Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher - Natal
Endereço:  Rua Dr. Lauro Pinto, nº 346 - Bairro: Lago Nova; Edifício Milênio - 3ª Andar
Cep:  59064-250
Município:  Natal
Telefone:  (84)3615-5410
Fax:
E-mail: 
juizadoviolenciadomestica@tjrn.jus.br
RIO GRANDE DO SUL
Nome da entidade:  Juizado da Violência Doméstica e Familiar - Porto Alegre
Endereço:  Rua Márcio Veras Vidor, nº 10 - Bairro: Praia de Belas, (Fórum Central - 5º Andar , Sala 501)
Cep:  90110-160
Município:  Porto Alegre
Telefone:  (51)3210-6670
Fax:  (51)3210-6670
E-mail: 
frpoacentvdfam@tj.rs.gov.brSite: http://www.tjrs.jus.br/site/
SANTA CATARINA
Nome da entidade:  Juizado Especial Criminal e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher - Chapecó
Endereço:  Rua Augusta Müller Bohner, nº 300-D - Bairro: Passo dos Fortes
Cep:  89805-900
Município:  Chapecó
Telefone:  (49)3321-4232
Fax:  (49)3321-4101
E-mail:  ccovdfcm@tjsc.jus.br

SÃO PAULO
Nome da entidade:  Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher da Comarca de São Paulo
Endereço:  Avenida Doutor Abraão Ribeiro, nº 313 - Bairro: Barra Funda; Rua 06; 1º Andar, Sala 550.
Cep:  01133-020
Município:  São Paulo
Telefone:  (11)2127-9667
Fax: 
E-mail: 
spvioldom@tjsp.jus.br

PIAUÍNome da entidade:  Juizado Especial de Combate à Violência Doméstica e Familiar de Teresina
Endereço:  Rua Benjamin Constant, nº 1344 - Bairro: Centro
Cep:  64000-280
Município:  Teresina
Telefone:  (86)3221-4364
Fax: 
E-mail: 
franciscodejesus@oi.com.br


fonte: secretaria de politicas para as mulheres

2 de fev. de 2012

Casos reais de violência doméstica



VIDA DE CASAL

Igor era casado com Patrícia, mas no entanto um teste de ADN mostrou que ele não era o pai do seu filho e isto tornou-se um possível motivo para um crime.
Esta história relata o facto de numa estrada enquanto o marido saiu do carro uns assaltantes foram lá e assaltaram o carro onde se encontrava a mulher de Igor que estava grávida de 8 meses.
No entanto, um assaltante vestido de preto vai de encontro ao automóvel onde se encontrava Patrícia e deu-lhe dois tiros na cabeça acabando por matá-la.
Várias pessoas alegaram que esse homem vestido de preto se tratava de Igor, pois tinha certas características desse e como tinha descoberto á pouco tempo que não era o pai da criança que Patrícia transportava no ventre aumentaram-se ainda mais as suspeitas de como tinha sido ele quem a tinha morto.
Depois de várias pesquisas conseguiu-se descobrir que a arma que tinha morto Patrícia encontrava-se em casa de Igor e era a mesma que ele usava para fazer tiro ao alvo, mas este conseguiu continuar a fugir, estando preso apenas no início por 48 dias.

Um caso de violência doméstica entre namorados:


Este trata-se de um caso em que Maria (nome fictício) que tem 28 e é estudante universitária foi agredida pelo ex-namorado de 26 anos, ameaçada
com facas e foi estrangulada até perder os sentidos.
Namoraram durante um ano e três meses, mas no entanto o primeiro empurrão só surgiu aos seis meses, mas a partir daí tudo mudou. Ela começou a ser agredida com frequência, devido a ciúmes e desconfianças, mas ela não conseguia sair da relação por pensar que ele a amava e que só fazia isso porque pensava que ela era demais para ele.
Ela acreditava que havia duas soluções: ou ele procurava ajuda ou ela afastava-se dele e na última agressão depois da qual teve que ir para o hospital, chegou á conclusão que só havia uma solução que era ela afastar-se e assim o fez denunciou o caso á polícia e afastou-se dele.

30/05/08
   GESTANTE É ESPANCADA PELO COMPANHEIRO EM PARNAÍBA.

                                                                              
02/01/2012 
A dona de casa Francilene Almeida, 26 anos, foi espancada na madrugada.O crime aconteceu por volta 2h da manhã, na rua A, no bairro Tremembés. A agressão teria sido cometida pelo companheiro da vítima, identificado 
como André dos Santos Fernandes. 

A dona de casa, que está grávida de seis meses,  foi agredida com pauladas e chutes na barriga, ela foi internada no Pronto Socorro do Hospital Dirceu Arcoverde com suspeita de fratura no braço esquerdo. 
A vítima reside no bairro Piauí, em Parnaíba. 
O acusado encontra-se foragido.

Fonte: Yuri Gomes
Publicado por: Luana Morais

A CADA DOIS MINUTOS , CINCO MULHERES SÃO ESPANCADAS NO BRASIL.

 
Bêbado tenta agredir a mãe de 89 anos

                                                                     
Explorada há vários anos pelo filho alcoolista e desempregado, a idosa Maria das Dores Cipriano,
de 89 anos, escapou de ser agredida fisicamente por ele na manhã de quarta-feira (11),
graças à intervenção da neta, que ao tentar proteger a avó acabou sendo atingida no rosto pelo pai,
 João Gomes Cipriano, 63 anos. Ana Carla, de 24 anos, acionou uma guarnição da Polícia Militar
que conduziu o agressor à 9ª Delegacia Territorial, onde a vítima registrou queixa.

De acordo com a delegada titular Maria Fernanda Porfírio, que autuou João Cipriano em flagrante por
crime de lesão corporal, com base na Lei Maria da Penha, a agressão ocorreu na residência da família,
situada na Rua Clemente Mariani, na Boca do Rio.

Mais uma vez embriagado, João ameaçou a idosa, que sofre de Mal de Parkinson, exigindo-lhe o dinheiro da pensão. Contrariado por não ter sido atendido, partiu para a violência e por pouco não atingiu a própria mãe. O agressor está preso no Complexo Policial dos Barris.

Fonte: Gleidson Santos.

                                     A VIOLÊNCIA TEM QUE PARAR
                         NÃO TENHA MEDO DENUNCIE


    http://www.sepm.gov.br/ouvidoria/central-de-atendimento-a-mulher                                                                                                                                              

1 de fev. de 2012

                                               AMOR QUE FERE

                                              violência doméstica 
                                                      
  Por Cristiane Ballerini

Ana*, uma bem-sucedida secretária executiva de São Paulo, continua casada. Tem 32 anos e aparenta menos. Magra, rosto delicado, ela ganha expressão quase infantil sempre que sorri, franzindo os belos olhos negros. É difícil imaginar que essa mulher bonita tenha uma história de dor e de coragem para contar. Nascida em uma família de classe média alta, ela foi vítima de violência doméstica ainda criança. Desde cedo, acostumou-se a presenciar as brigas dos pais – uma roda-viva de gritos, choro e objetos quebrados. Aos 18 anos, fugiu de casa para escapar das ameaças e surras que vinham da mãe. Manter-se sozinha não foi fácil. Trabalhava, estudava e pagava o aluguel de um quarto. Era uma rotina solitária.Três anos depois, encontrou Alberto*. Mais velho e viúvo, ele conquistou o amor de Ana aos poucos, devolvendo a ela o sonho de construir uma família. Já casados, veio o pesadelo. Ana descobriu que o homem maduro e protetor que mudara sua vida também sabia bater.

"Alberto era de uma conhecida família de políticos da cidade e já havíamos nos visto algumas vezes. Numa delas, fui entrevistá-lo para um trabalho da escola quando ele assumiu um cargo público. Eu cursava o ginásio. Anos depois, ele ficou viúvo. Era 14 anos mais velho, tinha 1,90 m, olhos verdes e um sorriso encantador. Quando começou a me dar bola, pensei: 'Devo estar sonhando... o que é que esse cara quer comigo?'. Muito mais experiente, ele sabia como me encantar. Trazia sempre uma flor, um chocolate, algo para agradar. Eu tinha dificuldade em me relacionar. Ainda trazia amargura das brigas com minha mãe. No dia em que saí de casa, ela me bateu, chegou a pisar no meu pescoço. Por toda essa violência, me tornei uma pessoa arredia e com baixa auto-estima. Achava que não merecia ser amada. Mas, diante do imenso carinho do Alberto, me apaixonei.

Depois de oito meses de namoro, nos casamos. Ele tinha três filhos: Fábio*, de 11 anos, Henrique*, de 6, e Ana Carolina*, 1 ano. Se para algumas mulheres isso poderia ser desencorajador, para mim era um atrativo. Adorei a idéia de ter uma família a minha espera. Com a morte da mulher, Alberto tinha montado uma infra-estrutura doméstica que funcionava bem. Assumi a administração de tudo, mas continuei trabalhando. Estava bem profissionalmente. Era secretária executiva em uma grande empresa, fazia viagens internacionais para acompanhar os diretores e cursava Letras.

Mas essa situação não agradava Alberto. Ele dizia que nenhuma das mulheres dos irmãos trabalhava... Meu sogro chegou a sugerir ao filho que me engravidasse, 'assim ela pára em casa'. Como meu marido era gaúcho, descendente de italianos, eu acreditava que esses pensamentos conservadores faziam parte da sua cultura, mas poderiam ser contornados. Alberto, então, passou a agir sutilmente para satisfazer seu sentimento de posse. Ia me levar e buscar todos os dias no trabalho e na faculdade. O que antes era uma gentileza passou a fazer parte de um programa de controle. Quando alguém me ligava em casa, ele sempre dava um jeito – brigava com as crianças, me chamava, gritava –, tudo para que eu desligasse logo. Táticas para que eu fosse abrindo mão da minha vida. Durante a semana, à noite, ele sempre queria ir ao cinema, teatro, jantar fora e eu tinha que acordar cedo no dia seguinte. Seis meses depois, tranquei a matrícula na faculdade. Pensei que assim ele ficaria satisfeito. Não adiantou. Veio o Plano Collor. E, se aproveitando do meu descontentamento com o salário congelado, Alberto começou uma campanha: 'Querida, temos uma boa situação. Aproveite a vida, durma mais e, com o tempo, se quiser voltar a trabalhar, montamos um negócio para você', dizia. Acabei aceitando. Foi quando o inferno baixou em nossas vidas.

Logo no início do casamento, fiquei surpresa com a agressividade do Alberto com os filhos. Era só eles aprontarem aquelas coisas de criança para que o pai os ameaçasse aos berros: 'Vou te quebrar no meio!'. Às vezes, Alberto pegava a primeira coisa que via pela frente e jogava nas crianças. Era vassoura, panela, tudo voando pelos ares. Aquilo não combinava com o homem que conheci antes de casar. Ele se justificava: 'Na minha família é assim mesmo'. Era um pesadelo que voltava. Ainda podia escutar os gritos de minha mãe.

O tempo passou e, sem perceber, fui ficando cada vez mais dependente do Alberto. Ligava para ele do cabeleireiro para perguntar sua opinião sobre o corte. Comprava roupas e fazia o mesmo. Tudo piorou quando os negócios dele faliram. Ele era um empresário de sucesso na construção civil, acabou perdendo tudo por empreendimentos mal dimensionados e investimentos arriscados na bolsa. Ficamos só com a casa e dois carros. Não tinha mais dinheiro para pagar empregada e estava difícil até fazer supermercado. Resolvi procurar emprego.

Quando comecei a trabalhar, ele explodiu. Nessa altura, eu tinha assumido as crianças como se fossem minhas. Ana Carolina estava com 3 anos e éramos muito ligadas. Uma noite, a menina teve febre e não parava de chorar. Alberto se trancou no quarto com ela e não deixou que eu entrasse. 'Ela está doente por sua causa. Você não quer trabalhar? Então deixe que eu cuido das crianças', gritava. Desesperada, batia na porta e ouvia Ana Carolina me chamando. Isso durou três dias, até que eu ameacei denunciá-lo para a polícia caso ele não chamasse um médico. Então, ele desapareceu com a menina: a vingança foi levar meu bebê para a casa da minha sogra. A partir daí, a situação só piorou. Olhava para ele e tinha medo do que via. Ele chegou a me chamar de vagabunda porque não ficava em casa. Como não deixei de trabalhar e resolvi também voltar a estudar, passou a me agredir usando as crianças. Para me machucar, batia no Fábio, na época com 14 anos. Um dia, resolvi interceder pelo menino. Foi pior. Alberto continuou a bater e dizia que o menino estava apanhando por minha causa. Fiquei louca e percebi que, lentamente, ele havia destruído o amor que sentia por ele. Decidi sair de casa.

Programa de controle.

Segundo a psiquiatra americana Lenore Walker, que estuda a cumplicidade da mulher com seu agressor, a violência doméstica segue ciclos. No primeiro, a agressividade do parceiro faz com que a mulher tente se anular para acalmar os ânimos.

Você não quer trabalhar?

O Banco Mundial estima que a violência contra a mulher é causa de uma em cada cinco faltas ao trabalho. Pesquisa da Universidade de Western Ontario, no Canadá, calcula que a violência custa em média àquele país US$ 4,2 bilhões por ano em dias de trabalho perdidos e custos hospitalares.

Comecei, então, a guardar dinheiro. Cheguei a alugar um apartamento, faltava apenas pintar para que eu me mudasse. Uma semana antes, Alberto sofreu um acidente e quase morreu. Não podia abandoná-lo naquele momento. Peguei o dinheiro que tinha economizado, comprei remédios e cuidei dele. Aos poucos, ele foi se recuperando, parecia ter renascido. Voltou a ser o homem amoroso que conheci. Senti que, aos poucos, aquele sentimento que eu julgava perdido reacendia. A fase boa durou um ano. Bastou eu voltar a estudar e trabalhar para nossos problemas retornarem. No acidente, Alberto perdeu um olho e ficou ainda mais inseguro. Eu não podia sair de casa sem dizer para onde ia, com quem, a que horas voltava. Quando chegava cedo da faculdade, ele queria saber por que tinha chegado mais tarde na noite anterior.

Os meses foram passando e a principal ocupação do Alberto era tomar conta de mim. Implicava com minhas roupas, com a maquiagem. Dizia que isso era sinal de que eu tinha um amante. Só que eu não ia mais baixar a cabeça. Numa discussão, quando ele gritou que eu não parava mais em casa, respondi que não tinha motivo para isso. Sem dó e com força, ele virou uma bofetada no meu rosto. Na hora, foi como se eu tivesse morrido. Não sentia mais o corpo, as lágrimas começaram a rolar e eu fiquei chorando horas seguidas. Alberto também ficou mal. Tentou esboçar um pedido de desculpas, mas não conseguiu. Naquele dia, não fui ao trabalho. Meu rosto ficou vermelho, ardia, e um sonho de felicidade tinha ruído.


Resolvi sair de casa. No mesmo dia, fui morar com uma amiga. Quando voltei para pegar minhas coisas, percebi que Alberto tinha trocado a fechadura da porta. Prestei queixa na Delegacia da Mulher. Foi expedido um mandado judicial para que eu pudesse tirar minhas coisas de casa. No dia marcado, ele deixou o filho do meio – Henrique – me esperando. Fiquei emocionada ao ver o menino. Ele pediu para ir comigo e me deixou preocupada com a situação das crianças. Eu e Alberto ficamos oito meses separados. Naquele período, o mundo desabou sobre minha cabeça. O apartamento onde morava foi assaltado, perdi o emprego e o lugar em que fui morar com minha amiga acabou desapropriado. De longe, Alberto acompanhava tudo.
Um dia, ele me ligou. Disse que eu tinha sido uma grande companheira em um momento difícil e que gostaria de fazer algo por mim. Reconheceu que não havíamos dividido os bens e que eu tinha direitos. Resultado: como não tinha para onde ir, aceitei a proposta de morar no quarto de hóspedes. No começo foi estranho, mas aos poucos voltamos a nos aproximar.

Mas o ciúme dele continuava doentio. Não demorou muito para voltarmos a brigar e ele me bateu novamente. Dessa vez, caí e ele continuou batendo enquanto eu tentava me proteger. Só parou quando Henrique pediu. Voltei à delegacia. Mas me senti humilhada. Durante a audiência de conciliação, a juíza me perguntou quanto eu queria pelo que ele fez. Ora, eu não queria dinheiro. Era como se tivesse vendido o meu rosto pela bofetada. Comecei a chorar no tribunal e respondi que nenhum dinheiro pagaria aquela dor. No fundo, queria que aquele homem – que de alguma maneira estranha me queria bem e eu o queria também – se curasse, se tratasse.

Alberto ficou muito constrangido. Pediu desculpas e, quando cheguei em casa, minha cama estava forrada de rosas. No quarto, tinha duas malas prontas. Na sala, os pais dele me esperavam. Havia no ar uma pressão para que continuássemos juntos. E uma das razões era o fato de a família dele ter pretensões políticas. Meus sogros fizeram aquele discurso de que deveríamos tentar superar a crise e as palavras mexeram comigo. Eu me sentia sozinha e, como eles diziam, sem Alberto ia perder a família que tinha.

Fomos viajar -foi um tempo doloroso. Depois de 15 dias na praia, voltei e continuava no fundo do poço. Não tinha mais trabalho, o homem que eu amei se revelou um agressor, os filhos dele – que, de alguma forma, também eram meus – estavam longe e nossa ligação, abalada. Percebi que não conseguia sair daquela relação que estava me matando aos poucos. Não via saída. Então, tentei me suicidar. Foram 24 comprimidos de um tranqüilizante forte com meio litro de uísque. Acordei no hospital. Depois disso, fiquei seis meses vegetando. Só saía para ir à terapia.
Tentei me suicidar

Vítimas de violência doméstica são mais propensas ao suicídio. Segundo relatório do instituto italiano Innocenti, ligado ao Unicef, 40% das americanas espancadas pelos companheiros tentam se matar.
Dois anos se passaram e, aos poucos, me coloquei de pé.Voltei a estudar, dessa vez pedagogia. Com Alberto, as coisas também pareciam estar entrando nos eixos. Saíamos para dançar e ele tinha se tornado um amigo. Mas bastava ele entrar no cheque especial ou passar por alguma situação difícil para que descontasse em mim sua agressividade. Um dia, no meio de uma discussão, veio um tapa violento, um murro, na verdade. Ele quase quebrou meu nariz e a dor era tanta que pensei que meu maxilar estava em frangalhos. Fiquei com o rosto inchado e roxo durante um mês e tive princípio de hemorragia em um dos olhos. Na hora, ele percebeu que a agressão foi grave. Começou a chorar, a dizer que não queria fazer aquilo, que estava ficando louco. Quando me olhei no espelho no dia seguinte e vi o estrago que tinha deixado ele fazer, fiquei com vergonha de mim mesma. Eu, que sempre passei a imagem de mulher independente, tive que encarar de frente minha fragilidade diante da situação.

Durante quatro dias, não saí do quarto. Não queria que os meninos e a empregada vissem meu rosto. Quando encontrei forças para me levantar, fui direto para a delegacia. Dessa vez, fui encaminhada para o Instituto Médico Legal e submetida a exame de corpo de delito. O médico que me atendeu olhou espantado, perguntou o que havia acontecido e, entre os dentes, disse: 'Um animal'.

Continuei morando na mesma casa que Alberto, mas, poucos dias depois do exame, entrei com representação contra ele. O processo corria na justiça comum, porque ele já não era primário, e eu poderia colocá-lo na cadeia. Quando me apresentei no fórum, senti mais uma vez o peso de ser casada com alguém de uma família importante. 'A senhora tem certeza de que quer levar isso adiante?', perguntou o funcionário em tom quase ameaçador. É claro que prossegui. No dia da audiência, apesar de toda a raiva, resolvi tomar outro caminho. Tinha tudo para colocá-lo na cadeia, fazer escândalo nos jornais. Mas fiz um acordo. Para que o processo ficasse suspenso por dois anos, ele teria que fazer terapia. Me lembro até hoje do que disse a ele: 'Ou eu te coloco na cadeia ou você vai se tratar. Se é de propósito que você bate em quem diz amar, merece ser preso; se não é, está doente'.

Para segurar essa barra-pesada, procurei ajuda na Casa Eliane de Grammont. Encontrei também um psiquiatra para atender Alberto. No começo, ele foi porque se sentiu ameaçado. Mas bastaram algumas sessões para que ele percebesse que encarar o problema de frente era a chance de uma nova vida. Numa das sessões, descobri que Alberto tinha sido vítima de violência na infância. Chorando, ele contou que as surras eram uma rotina. Revelou também que o pai era um homem bruto -socava a mulher e, pouco depois, a família se reunia em torno da mesa como se nada tivesse acontecido. Passei a compreender as contradições dele.
No dia da audiênciaCerca de 70% das agressões domésticas são julgadas nos Tribunais de Pequenas Causas. A punição, em geral, é uma multa ou uma cesta básica a ser doada a instituição filantrópica. Com R$ 50, o agressor limpa sua barra. A mulher sai humilhada.
Bem-Vinda - Centro de Apoio à Mulher (MG) (31) 277-7047

Não significa que aceite suas atitudes. Estamos tentando estabelecer uma relação em outras bases. E essa última chance que estou dando só é possível porque percebo o esforço dele em descobrir outras saídas dentro de si mesmo para se tornar um homem melhor. Sei que é muito doloroso para ele remexer nisso tudo, tem dias que chega em casa arrasado. No próximo mês, vence o prazo de dois anos e estaremos diante do juiz novamente. Sei que a ameaça do processo já perdeu parte do efeito. Fica claro que esse sacrifício ele tem feito por mim. Mas, depois de tantas agressões, nem sei dizer se ainda o amo. Percebo que ele tem se tornado um homem diferente, que chora com mais facilidade, fala de seus sentimentos e já não se sente pressionado a ser super-homem. Estamos em período de experimentação. Quando ele sente que corre o risco de perder o controle, pede para ficar sozinho. Sei que para muita gente posso parecer tola – depois de apanhar várias vezes estou dando a ele mais uma chance. É estranho. No fundo, sei que ele é boa pessoa e que, de alguma forma, é também vítima dessa situação. E o melhor de tudo é que tenho certeza -por tudo o que construí em minha própria vida- de que já não preciso dele para ser alguém. Já não me sinto presa a essa armadilha que eu mesma ajudei a criar. Juntos ou separados, fica claro que seremos pessoas melhores."

Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos
Agressor no divã
Nada de multas, trabalho comunitário ou uma temporada na cadeia. A pena para muitos agressores tem sido o divã. Experiências desse tipo, em que maridos e namorados violentos se submetem a tratamento psicológico – às vezes, ao lado da vítima –, são sucesso nos Estados Unidos, França e Canadá. Em San Diego, na Califórnia, o programa de intervenção terapêutica dura um ano e tem uma taxa de reincidência de apenas 5%. "Mas, no Brasil, o agressor é visto como um criminoso. Ninguém percebe que ele também é uma vítima", contrapõe a psicanalista Malvina Muszkat, presidente do Pró-Mulher, uma organização não-governamental paulistana que existe há 22 anos para apoiar mulheres vítimas de violência e desde 93 passou a envolver o próprio agressor na solução dos casos. "Os homens chegam aqui carentes de serem ouvidos. Na sociedade, são perseguidos e não têm espaço para expor suas ansiedades. Muitas vezes, nem percebem que a violência passou a ser usada por eles como forma de comunicação. Em vez de falar, batem porque foi assim que aprenderam a resolver conflitos. Aqui encontram solidariedade para mudar", diz Malvina.

fonte: marieclaire.globo.com                                                                                     
Canalha tortura ex e ‘marca’ a mesma com faca e ferro quente; filho do casal presenciou tudo.

Vítima teve pernas, braços e rosto queimados com um ferro de passar roupas, e as costas marcadas com
faca em brasa

Neliton escreve seu nome com uma faca quente nas costas da mulher

Rio de Janeiro/RJ – A dona de casa Paula de Souza Nogueira Farias, de 22 anos, foi torturada por mais de quatro horas pelo ex-marido Neliton Carvalho da Silva, de 25 anos, na presença do filho de um ano e meio, Nicolas, no apartamento 201 da Rua DW, no Pontal, Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ela teve pernas, braços e rosto queimados com um ferro de passar roupas, durante a noite desta sexta-feira (09). Ele escreveu seu primeiro nome, em letras garrafais, nas costas da vítima, com uma faca sob alta temperatura. A vítima ainda levou socos e pontapés em várias partes do corpo.

"Pensei que ia morrer. Fui marcada com um gado e tratada como um animal. Ele falou que eu ia ficar bem feia para não ficar com mais ninguém na minha vida. Falou que se eu o entregasse à polícia ele mataria meus outros dois filhos, de 7 e 5 anos, que são de outro relacionamento. Se ele for liberado, não sei o que será da minha vida. Tenho medo que ele volte e mate todo mundo", disse ela na 16ª DP (Barra da Tijuca), onde o caso de tortura, ameaça e tentativa de homicídio foi registrado. O agressor alegou que o motivo seria ciúmes. Segundo Paula, o casal estava separado há um ano.

                                                                                 
Paula contou que Neliton pediu para o ver o filho. "Fazia dois meses que ele realmente não via o menino. Como ele disse que me daria R$ 150 para as despesas, fui até a casa dele levar o garoto. Ele me recebeu bem, mas quando passei da porta começou o inferno. Ele me trancou dentro do apartamento e me acusou de ter relações com amigos dele. Aí ele me disse que ia apenas me torturar, mas não iria matar para eu lembrar sempre dele", disse ela. Com um ferro de passar roupas, o agressor queimou o rosto e as coxas da mulher, que ficaram em carne viva.

Irônico, ex-marido agressor sorri durante apresentação na delegacia.

                                                                                     
Os gritos da mulher não fizeram o ex-marido parar. Paula se contorceu em dores quando Neliton escreveu seu primerio nome nas costas dela. "Ele disse que para que toda a vez que eu estiver com outro homem, vou lembrar dele", disse. Ele usou uma faca sob alta temperatura para fazer as letras. Nos braços, ele desenhou as letras "enes". Após a sessão de torturas, o agressor levou a vítima até o ponto de ônibus. Ele pegou uma kombi e parou no Posto de Policiamento Comunitário (PPC) do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes. Ela foi levada para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde foi medicada.

Ainda bastante abalada com as agressões, a vítima contou que prestou queixa por agressão contra Neliton duas vezes na Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam). Há nove meses, ele encostou uma colher quente em seu rosto. "Ele sempre foi agressivo, mas jamais imaginei que pudesse chegar a esse ponto. Nunca pensei que isso poderia acontecer. Infelizmente meu filhinho assistiu tudo muito espantado. Espero que não fique traumatizado", disse. O caso foi registrado na 16ª DP (Barra).

Fonte :Jornal O DIA Rio de Janeiro/RJ

31 de jan. de 2012

Central de Atendimento à Mulher

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – funciona 24 horas por dia, de segunda à domingo, inclusive feriados. A ligação é gratuita e o atendimento é de âmbito nacional.

Atendimento qualificado

A Central funciona com atendentes capacitadas em questões de gênero, nas políticas do Governo Federal para as mulheres, nas orientações sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e, principalmente, na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres. Utilizam um banco de dados com mais de 260 perguntas e respostas elaboradas com base nas informações disponíveis na Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e em todas as denúncias já recebidas por sua Ouvidoria. A capacitação das atendentes foi desenvolvida em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo.

A criação da Central atende a uma antiga demanda dos movimentos feministas e de mulheres e de todos aqueles que atuam no contexto de mulheres em situação de violência. Além de encaminhar os casos para os serviços especializados, a Central fornecerá orientações e alternativas para que a mulher se proteja do agressor. Ela será informada sobre seus direitos legais, os tipos de estabelecimentos que poderá procurar, conforme o caso, dentre eles as delegacias de atendimento especializado à mulher, defensorias públicas, postos de saúde, instituto médico legal para casos de estupro, centros de referência, casas abrigo e outros mecanismos de promoção de defesa de direitos da mulher.As beneficiárias diretas desse serviço serão as mulheres, mas o enfrentamento à violência contra a mulher repercute positivamente sobre toda a sociedade. Com a Central de Atendimento, todas as mulheres poderão receber atenção adequada quando em situação de violência, sem nenhuma exposição, pois o sigilo é absoluto e a identificação será opcional. Mas não só as mulheres que podem acionar os serviços. Homens que queiram fazer denúncias de casos de violência contra a mulher serão bem acolhidos.A Central de Atendimento à Mulher é uma parceria da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e as empresas Embratel, Eletronorte, Eletrobrás, Furnas e do Disque Denúncia do Rio de Janeiro.
Depoimento de mulher vítima de violência recolhidos na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) da Ribeira, Natal (RN)
S. M. S., 40 anos, empregada doméstica, moradora do bairro Mãe Luíza



O mês passado fui estuprada pelo meu ex marido mas fiquei com pena dele e tirei a queixa da delegacia, então ele voltou a praticar outros crimes comigo. Colocou água, gelo e açúcar numa camisinha cheia de esperma dele e me obrigou a tomar. Depois de eu vir de novo dar parte na delegacia, veio para mim chorando, pedindo que tirasse a queixa. Ele não é de Natal, é de Alagoas e está sozinho aqui, além do mais tem um bom emprego e tudo isso me deixou mais uma vez com pena dele, não queria prejudicá-lo nem sujar seu nome. Assim retirei a queixa outra vez e desisti de processá-lo. Então no domingo passado ele entrou na minha casa botando a porta para dentro, me agrediu, ainda estou com o corpo todo arranhado. Chegou a dizer que tinha falado aos amigos dele que não ia me matar mas ia trazer para eles uma orelha minha. Me atirou encima da cama, cuspiu na minha cara e disse que do jeito que fez comigo fazia na cara da delegada. Depois pegou um espeto de churrasco para me ferir, lutei com ele e ele furou minha mão, ainda tenho as marcas. Agora eu pretendo levar adiante o processo sem pena, sem dor nem nada, porque ele não tem pena de mim.

30 de jan. de 2012

Mulheres vítimas de espancamentos comovem com depoimentos 

Membros do Judiciário debatem Lei (Foto: Rinaldo Morelli/CLDF) Mulheres espancadas, queimadas, ameaçadas de morte contaram suas histórias em audiência pública que debateu a Lei Maria da Penha, realizada nesta sexta-feira (22) no plenário da Câmara. Osmarina Rocha da Silva, em depoimento comovente, contou que foi espancada durante 12 anos pelo marido, que, entre outras barbáries, tentou queimá-la enquanto ela dormia.

"Uma mulher que apanha do marido só vai à delegacia quando ela está no seu limite, depois de sofrer muito", disse, ao narrar que, após ser queimada com ferro de passar roupa por se negar a ter relações sexuais com o marido, ela foi à delegacia dar queixa e a delegada perguntou-lhe se ela tinha testemunhas do fato. "Ora, eu estava ali queimada", afirmou.
Ela revelou que só se sentiu "uma mulher livre" para criar seus dois filhos depois que enfrentou seu marido com um facão;

                                                                                     
foi só aí que ele parou de espancá-la.

Cicatrizes - "Após seis tentativas de separação, fui vítima de cinco balas disparadas por meu ex-marido, e eu carrego todas essas marcas e a cicatriz na alma", contou Roseni Pereira de Miranda, vítima de tentativa de homicídio em estacionamento da faculdade IESB em dezembro de 2005. Pelo ato, "ele foi condenado a apenas cinco anos de prisão, mas, mesmo assim, a Lei Maria da Penha é um avanço e uma esperança", afirmou.

Casos Arquivados - 


                                                                                   
A Justiça brasileira sempre tratou a violência doméstica como uma questão de família, afirmou o promotor de Justiça do Ministério Público do DF, Fausto Rodrigues de Lima. "Até hoje, o fato de um homem quebrar a mandíbula de sua mulher não é visto como crime, mas como um fato da vida privada e familiar", exemplificou. "Violência é crime e é responsabilidade do Estado", argumentou. Segundo o promotor, de 1995 até hoje - mesmo após a publicação da Lei Maria da Penha - , mais de 90% dos casos de violência contra a mulher são arquivados.

A promotora-adjunta de Justiça do Ministério Público, Danielle Martins Aceiro, afirmou que o aspecto de "igualdade de vítimas" de violência doméstica equiparadas com as vítimas de outros crimes, como estelionato, foi uma das conquistas da Lei Maria da Penha, que, segundo ela, "veio publicizar o conflito doméstico".

"A lei não acaba com a violência, precisamos de trabalho de campo para educar o homem", considerou a juíza da vara do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, do Tribunal de Justiça do DF, Maria Izabel da Silva. "Temos que ter novo foco da campanha da Lei, que precisa ser divulgada para mostrar ao homem que ele não pode perpetrar agressões contra a mulher", disse.
"A aplicação da Lei Maria da Penha não é apenas punitiva, mas também preventiva", opinou a promotora do Ministério Público, Laís Cerqueira da Silva. "Ela defendeu a efetivação da Lei. "Devemos nos sensibilizar não apenas com os casos extremos, como os homicídios, mas tabém com os casos de lesão corporal", alertou.
                                                                                         
A deputada Erika Kokay (PT)

                                                                               
ao encerrar a audiência, lembrou que a aplicação da Lei Maria da Penha deve ser uma conquista diária. A deputada trouxe a discussão da Lei à Câmara desde sua publicação no ano passado.

Fonte: Câmara Legislativa do Distrito Federal

             Casos de violência contra mulheres aumentaram em 2010


Dados de uma pesquisa realizada pela Organização não Governamental (ONG) Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre), intitulado “Um Lugar no Mundo”, revelam que uma em cada quatro mulheres brasileiras sofre violência doméstica, ou seja, a cada um minuto quatro mulheres são violentadas no Brasil de maneira física, sexual, ou psicológica.

Números obtidos junto às Secretarias de Segurança Pública dos estados brasileiros sobre violência doméstica contra a mulher, revelam que as ocorrências mais comuns nas Delegacias de Atendimento às Mulheres são de ameaças e de lesão corporal. Em geral, as agressões são praticadas por companheiros, que agem com atos de discriminação do gênero.

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela ainda que o número de ligações feitas ao disk denúncia nacional (180), por mulheres vítimas de violência doméstica cresceu 112% de janeiro a julho de 2010 em relação ao mesmo período do ano de 2009. Em termos internacionais, o Brasil ocupa o 12° lugar no ranking de violência doméstica.

Quadro de violência doméstica no Acre

O Acre ocupa o 24° lugar entre os estados com maior número de queixas registradas, mesmo assim, mulheres que tiveram uma vida marcada pela violência cometida por aqueles de quem deveriam receber amor, podem contar com um atendimento diferenciado. Inaugurada em outubro de 2010, a Promotoria de Combate à Violência Doméstica e Familiar já atendeu cerca de cinqüenta mulheres oferecendo apoio psicológico, jurídico e social.

Promotora de Justiça Marcela Cristina Ozório. (Foto: Ascom)

“Nosso diferencial é o acompanhamento realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por um assistente social, psicólogo e assessor jurídico, (…) temos também uma brinquedoteca onde as crianças aguardam a mãe ser atendida, deixando-a mais à vontade para expor seus problemas”. Afirma a Promotora Marcela Ozório, responsável pela Promotoria de Combate à Violência Doméstica e Familiar.

De acordo com Marcela, a equipe busca oferecer auxílio e condições de independência à vítima, tendo em vista que um dos fatores comuns nestes casos é a dependência econômica e a falta de moradia. Para mudar essa realidade, a promotoria conta com uma rede de parceiros que atua de forma direta na profissionalização das mulheres.

Casa Rosa Mulher já atendeu cerca de oito mil mulheres desde sua fundação .

                                                                              (Foto: Crislei Souza)

Entidades na prevenção e combate a violência.

Entre os parceiros do Ministério Público junto à Promotoria está à Casa Rosa Mulher que desde sua fundação já realizou cerca de oito mil atendimentos à mulheres submetidas aos crimes de violência. Segundo a Assessora Jurídica Vanessa Martins, integrante da equipe multidisciplinar da Casa, o principal objetivo da entidade é acabar com o ciclo de violência, oferecendo a cada mulher o encaminhamento necessário que varia de acordo com o grau de violência sofrida. Há ainda um apoio de qualificação profissional que além de inseri-la no mercado de trabalho, garante independência financeira, melhorando a estima e estabelecendo laços de confiança com a instituição.

Para mulheres em situação de risco, há a Casa-abrigo Mãe da Mata, pois após o registro do boletim de ocorrência, o Juiz determina imediatamente medidas protetivas, entre elas: proibição de contato com a vítima, pagamento de pensão, afastamento do lar, e, nos casos mais graves, prisão preventiva, nessas circunstâncias a vítima pode procurar auxílio da casa-abrigo. Vale destacar que o trabalho realizado é possível através de um sistema de informações integrado que compartilha em tempo real todos os casos em andamento, agilizando processos e trazendo mais segurança àquelas que foram mártires de sua própria escolha.

Relatos de uma vida marcada pela violência.

“(…) Tudo começou em um dia comum. Eu estava grávida de sete meses quando meu marido chegou do trabalho nervoso. Perguntei a ele o que tinha acontecido quando ele começou a gritar comigo, estava descontrolado. Parecia que tinha trazido todo o estresse do trabalho para dentro de casa. Me deu um tapa no rosto e depois me pediu desculpas. No início achei que ele não queria me machucar, mas a humilhação só foi aumentando, não só com tapas, socos ou murros, mas com palavras que me deixavam arrasada, hoje já fazem seis anos desde que eu decidi sair dessa vida. Não sei como pude agüentar tanto tempo.” “(…)
Talvez porque não tinha percebido o inferno em que eu vivia. Um dia cheguei do trabalho e meu marido já estava em casa, mal conseguiu entrar e ele já foi me batendo, levei socos no rosto, na barriga, fui arrastada até o banheiro… Meu filho, assustado, não tinha reação nenhuma, o pai mandou que ele pegasse uma corda e com medo ele foi.
Ele arrancou minha roupa, fiquei completamente nua, desprotegida no banheiro do nosso quarto e enquanto tentava me libertar ele me deu um soco que quebrou meus dentes, ele pegou a tal corda e a amarrou no meu pescoço, quando pensei que ia morrer sufocada, Meu Filho Gritou: –

   LARGA ELA PAI, NÃO FAZ ISSO, VOCÊ VAI MATAR A MAMÃE…


 E ele parou. Jamais imaginei que meu filho iria presenciar uma cena como essa. Esse foi o fim. No dia seguinte, decidi denunciá-lo embora estivesse com muito medo.” (…) “tempos depois ele foi preso, e eu com medo, fugi com nosso filho para onde ele jamais pudesse nos encontrar.”

Depoimento de J.M.A. – Vítima de violência doméstica durante 7 anos.

O depoimento acima é de uma mulher que viveu por anos, atormentada pela violência sofrida dentro de sua própria casa. Embora tenha levado tempo para denunciar o esposo, sua historia tomou um rumo diferente a partir do momento em que o esposo foi preso. Acabe você também com o ciclo de violência doméstica. Denuncie.

Reportagem produzida por Agnes Cavalcante, Crislei Souza e Lillian Lima

Príncipe virou Sapo 

Conheci me envolvi engravidei e casei tudo muito.... muito rapido!

Em menos de um ano e meio ja estavamos casados com nosso filha nos braços.
Ele era uma pessoa adoravel eu o admirava profundamente pq via nele tudo o que eu não era de certa forma. Ele tinha um infinito respeito pelas pessoas trabalhador e muito... muito amoroso.
Mas aos poucos foi mudando ficando cada vez mais agressivo, culpo um pouco a profissão dele que parecem ter feito lavagem cerebral no meu marido pq nem parece a mesma pessoa. Ele é policial!

Um dia ele me agrediu e eu fui até a delegacia prestar queixa, o policial fez o maior corpo mole, outro dia meus pais chamaram a policia novamente e quem veio atender era um amigo do meu marido, cheios de dedos e pedindo calma. Ele grita o tempo todo me ofende e tudo sempre na frente de nossa filha de 2 anos que desde que nasceu assiste a essas cenas. Tenho medo que um dia ele até me mate por conta do seu descontrole, antes eu brigava tbm e um dia cheguei a socar tanto que quase quebrei o nariz dele mas agora nem revidar eu tenho vontade mais, não tenho paz nem sossego qlq coisa ele perde o controle grita e se enfurece, ontem mesmo estava saindo de madrugada para cumprir a escala e eu estava DORMINDO!!! Isso mesmo dormindo no sofá com minha princesinha ele começou a me balançar ferozmente mandando eu me deitar na cama quase quebrou meus dedos apertando minha mão grudou no meu rosto.. nem na santa paz do meu sono eu tenho sossego! Minha filha acordou tadinha e gemeu chorando o resto da madrugada inteira... me sinto perdida e desorientada, não conto a ninguém mais o que acontece depois dos 2 b.o. registrados nem mesmo a minha família. eu casei com um principe literalmente que virou ogro... nem sapo foi... era invejada por nossa relação e hoje.....
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Falar sobre o que eu passei é muito difícil.

Foram 19 anos de convivência. No início era bom. Depois, traição, alcoolismo, violência.
Quando ele chegava em casa me agredia, sempre bêbado, mandava eu sair para dormir na rua. Quebrava tudo dentro de casa, teve uma vez que ele queimou minha roupa toda, não sobriou nada.

Ele me obrigava a manter relações, apontava a arma para mim e perguntava se eu queria morrer de pistola ou de revólver . Dava tiros para o alto. Quando eu ia na delegacia, o policial dizia que era para eu voltar para casa que o colega estava cansado. Como o trabalho dele era estressante, eu voltava, muito deprimida, sem apoio e humilhada.
Foram muitas noites de terror. Por fim, ele quis me atear fogo. Jogou álcool em cima de mim. Eu pulei um muro de mais ou menos 3 metros de altura para fugir. Esta foi a última vez que ele me agrediu. Eu me separei.
Depois de tudo isso, ficou me seguindo para eu voltar, fui agredida no meio da rua, ameaçada de morte várias vezes. Então, eu dei queixa na delegacia, ele foi julgado e processado pelo artigo 147. Naquela época, se tivesse a Lei Maria da Penha, eu não teria passado tanto constrangimento. A lei valeu para ajudar todas as mulheres que são violentadas.”
Isabel*
Faz parte do Fórum Maria da Penha em São João de Meriti, no Rio de Janeiro.
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“Quando eu tinha uns 7 anos, meu avô me sentava em seu colo para me bolinar. Contei para o meu pai e ele não acreditou e minha mãe começou a me vigiar.
Aos 10 anos, vim morar no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias. Tinha um amigo da família que eu freqüentava muito a casa junto de minha mãe. Ele se fingia de espírita e me deixava sonolenta para eu dormir lá. Um dia, ele me chamou para ir de bicicleta para a minha casa e no caminho me disse que era para tomar guaraná. No caminho , ele desviou para o mato alegando que era para cortar caminho. Eu, ingênua, como era amigo da minha família, fui.
Ele me estuprou. Fiquei me sentindo imunda, sem poder falar com ninguém. Dois dias depois, ele foi na minha casa e disse para a minha avó que ia esperar pela esposa lá em casa. Eu nunca tive coragem de contar para ninguém, passei um tempo fugido dele. Depois, ele diminui as idas lá em casa, acho que pensou que eu tivesse contado.
Quando adulta, sofri assédio de um chefe.
Finalmente me casei e tive três filhos. Foram 18 anos vivendo bem, mas depois o meu marido começou a me torturar psicologicamente, dizendo a forma como iria me matar. Ele me sacudia e por duas vezes tive relações forçadas. Viva sempre ameaçada até que consegui sair de casa com meus filhos criados. Até hoje eles não sabem da minha história.
Só depois de 30 anos tive coragem de contar esses fatos da minha vida em um encontro do grupo de mulheres em celebração ao 8 de março.”
Elisete*
Faz parte do Fórum Maria da Penha em São João de Meriti, no Rio de Janeiro.


Os nomes são fictícios para preservar a identidade das depoentes.

fonte: http://www.actionaid.org.br/

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