Uma falsa crença é esperar que a criança abusada avise sempre
sobre o que está acontecendo. Entretanto, na grande maioria das vezes, as
vítimas de abuso são convencidas pelo abusador de que não devem dizer nada a
ninguém. A primeira intenção da criança é, de fato, avisar a alguém sobre seu
drama mas, em geral, nem sempre ela consegue fazer isso com facilidade,
apresentando um discurso confuso e incompleto. Por isso os pais precisam estar
conscientes de que as mudanças na conduta, no humor e nas atitudes da criança
podem indicar que ela é vítima de abuso sexual.
Muitos pais se sentem totalmente despreparados e pegos de
surpresa quando sua criança é abusada, mas sempre devemos ter em mente que as
reações emocionais da família serão muito importante na recuperação da
criança.
Quando uma criança confia a um adulto que sofreu abuso sexual, o
adulto pode sentir-se muito incomodado e não saber o que dizer ou fazer. Vejamos
algumas sugestões (American Academy
of Child and Adolescent Psychiatry):
1.Incentivar a criança a falar livremente o que se passou, sem externar comentários de juízo.2.Demonstrar que estamos compreendendo a angústia da criança e levando muito a sério o que esta dizendo. As crianças e adolescentes que encontram quem os escuta com atenção e compreensão, reagem melhor do que aquelas que não encontram esse tipo de apoio.3.Assegurar à criança que fez muito bem em contar o ocorrido pois, se ela tiver uma relação muito próxima com quem a abusa, normalmente se sentirá culpada por revelar o segredo ou com muito medo de que sua família a castigue por divulgar o fato.4.Dizer enfaticamente à criança que ela não tem culpa pelo abuso sexual. A maioria das crianças vítimas de abuso pensa que elas foram a causa do ocorrido ou podem imaginar que isso é um castigo por alguma coisa má que tenham feito.
Finalmente, oferecer proteção à criança, e prometer que fará de
imediato tudo o que for necessário para que o abuso termine.
No momento em que esse incidente vem à tona, devemos considerar
que o bem estar da criança é a prioridade. Se os familiares estão emocionalmente
muito perturbados nesse momento, o assunto deve ser interrompido para que as
emoções e idéias possam ser mais bem organizadas. Depois disso, deve-se voltar a
tratar do assunto com a criança, explicando sempre que as emoções negativas são
dirigidas ao agressor e nunca contra a criança.
Não devemos apressar insensivelmente a criança para relatar tudo
de uma só vez, principalmente se ela estiver muito emocionada. Mas, por outro
lado, devemos encorajá-la a falar com liberdade tudo o que tenha acontecido,
escutando-a carinhosamente para que se sinta confiante. Responda a qualquer
pergunta que a esteja angustiando e esclareça qualquer mal entendido,
enfatizando sempre que é o abusador e não a criança o responsável por tudo.
Se o abusador é um familiar a situação é bastante difícil para a
criança e para demais membros da família. Embora possam existir fortes conflitos
e sentimentos sobre o abusador, a proteção da criança deve continuar sendo a
prioridade. Abaixo, algumas condutas que devem ser pensadas nos casos de
violência sexual contra crianças.
1. Informe as autoridades qualquer suspeita séria de abuso sexual.2.Consultar imediatamente um pediatra ou médico de família para atestar a veracidade da agressão (quando houver sido concretizada). O exame médico pode avaliar as condições físicas e emocionais da criança e indicar um tratamento adequado.3.A criança abusada sexualmente deve submeter-se a uma avaliação psiquiátrica por ou outro profissional de saúde mental qualificado, para determinar os efeitos emocionais da agressão sexual, bem como avaliar a necessidade de ajuda profissional para superar o trauma do abuso.4. Ainda que a maior parte das acusações de abuso sejam verdadeiras, pode haver falsas acusações em casos de disputas sobre a custódia infantil ou em outras situações familiares complicadas.5. Quando a criança tem que testemunhar sobre a identidade de seu agressor, deve-se preferir métodos indiretos e especiais sempre que possível, tais como o uso de vídeo, afastamento de expectadores dispensáveis ou qualquer outra opção de não ter que encarar o acusado.6.Quando a criança faz uma confidência a alguém sobre abuso sexual, é importante dar-lhe apoio e carinho; este é o primeiro passo para ajudar no restabelecimento de sua autoconfiança, na confiança nos outros adultos e na melhoria de sua auto-estima.7.Normalmente, devido ao grande incômodo emocional que os pais experimentam quando ficam sabendo do abuso sexual em seus filhos, estes podem pensar, erroneamente, que a raiva é contra eles. Por isso, deve ficar muito claro que a raiva manifestada não é contra a criança abusada.
Felizmente, os danos físicos permanentes como conseqüência do
abuso sexual são muito raros. A recuperação emocional dependerá, em grande
parte, da resposta familiar ao incidente (Embarazada.Com). As reações
das crianças ao abuso sexual diferem com a idade e com a personalidade de cada
uma, bem como com a natureza da agressão sofrida. Um fato curioso é que, algumas
(raras) vezes, as crianças não são tão perturbadas por situações que parecem
muito sérias para seus pais.
O período de readaptação depois do abuso pode ser difícil para os
pais e para a criança. Muitos jovens abusados continuam atemorizados e
perturbados por várias semanas, podendo ter dificuldades para comer e dormir,
sentindo ansiedade e evitando voltar à escola.
As principais seqüelas do abuso sexual são de ordem psíquica,
sendo um relevante fator na história da vida emocional de homens e mulheres com
problemas conjugais, psicossociais e transtornos psiquiátricos.
Antecedentes de abuso sexual na infância estão fortemente
relacionados a comportamento sexual inapropriado para idade e nível de
desenvolvimento, quando comparado com a média das crianças e adolescentes da
mesma faixa etária e do mesmo meio sócio-cultural sem história de abuso.
Em nível de traços no desenvolvimento da personalidade, o abuso
sexual infantil pode estar relacionado a futuros sentimentos de traição,
desconfiança, hostilidade e dificuldades nos relacionamentos, sensação de
vergonha, culpa e auto-desvalorização, à baixa autoestima à distorção da imagem
corporal, Transtorno Borderline de Personalidade e Transtorno de Conduta.
Em relação a quadros psiquiátricos francos, o abuso sexual
infantil se relaciona com o Transtorno do Estresse Pós-traumático, com a
depressão, disfunções sexuais (aversão a sexo), quadros dissociativos ou
conversivos (histéricos), dificuldade de aprendizagem, transtornos do sono
(insônia, medo de dormir), da alimentação, como por exemplo, obesidade, anorexia
e bulimia, ansiedade e fobias.
Fonte: Ballone GJ
Nenhum comentário:
Postar um comentário